quarta-feira, julho 11, 2007

Com as mágoas, que a mais ninguém interessam, regresso. E este regresso é um despir-me em egoísmo. Deixá-lo!



A luz pode entrar a qualquer hora e
vestir em tons de ocre a sua fonte,
guardar os segredos nas paredes e
no chão as sombras oblíquas.

Ouve-se no respirar do sol,
por entre as grades das janelas,
a canção tardia dos teus passos
ecoando nas feridas das paredes,
ouvem-se os teus passos sobre o chão antigo,
abandonado às ervas e às folhas secas,
ouve-se o eco das últimas palavras
mastigadas nos sabores da despedida.

O abandono arrasta o fim da tarde
marcado a fogo nas paredes sujas,
calaram-se os teus passos e
as vozes fizeram-se sombras esquecidas.
O silêncio da casa esvazia a noite,
o sangue nostálgico dos filhos que partem
incendeia o coração de mil cuidados e
os espíritos convidam à reunião familiar
numa já esperança sem esperança.

Sobram, num ar de tristeza vaga,
as palavras que ficaram por dizer,
sobra o silêncio e a angústia das palavras.
O tempo despedaça as sombras que enchem a casa e
com o olhar limpa-lhes o pó.

2 Comments:

At 12:00 da manhã, Blogger TsiWari said...

Sê bem vindo - ainda que não interesse a ninguém, acho-te sofrido.


Abraço

 
At 9:36 da manhã, Blogger Aires Montenegro said...

tsiwari: mas atenção - o que aí está dito não é óbvio, é metafórico... o poeta (Sê-lo-ei?)"é um fingidor", o Pessoa é que sabia!

 

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